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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Das coisas que sinto falta


Sinto falta daquela música que me faz chorar, da poesia bem feita, do amor bem vivido e dos momentos tristes, mas autênticos.

Sinto falta do natural, do que é real, do que não se esconde. Prefiro a sinceridade singela à falsidade rebuscada, a faísca que queima ao morno da vida, o bem me quer ao mal me quer, e a boba felicidade ao sempre certo infeliz.

Quem dera poder mandar pra bem longe o fantasma do quase, a persistência da dúvida e o terror do medo. E ter a certeza de que o mais arriscado é não arriscar.

E antes que tolas fiquem essas palavras, espero me cercar de vida, de pessoas excêntricas, de essências malucas. A soma do ser, do aprendizado, o não a futilidade, mas o sim a simplicidade.

Embora eu saiba que o que me faz falta é efêmero, e que a falta é a busca do amanhã e depois, e depois... Espero nunca me deixar levar pelo indisposto conforto do ser que se cala diante da vida.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Palavras


Não deixe que as palavras abafem o que se chama sentimento
E nem que o sentimento se corrompa no que se chama vaidade

Não espere segurança de nada, nem de ninguém
Pois é o mesmo que esperar mentiras de quem se ama

Estar seguro é viver numa ilusão
E de que serve essa segurança se o que se tem são apenas palavras

Palavras que se desmancham ao som da verdade
Palavras que se modificam a cada instante
Palavras que confortam mas não satisfazem

Não diga amo, ame.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Sol na Janela


O problema é esse sol na janela.


A vida segue do jeito que deveria, os acasos vão perdendo o valor, enquanto a moldura fica cada vez mais apertada.

Mas se está bem, porque simplesmente é assim que deveria ser. Só não dá pra ficar sem o ritual diário, é com ele que se encobre qualquer desejo importuno. Santo ritual.

O problema é esse sol na janela.

E lá se está, mais um dia, mais uma vez. Até a fuga é previsível, sua liberdade de mãos fechadas. Quem dera eu não ter essas palavras, quem dera eu não conseguir ver.

É a vida encaixada, é o que te conforta, é o que precisamos e buscamos todos os dias.

O problema é esse sol na janela te dizendo que pode ser mais
O problema é esse sol na janela te indicando milhões de caminhos
O problema é esse sol na janela te chamando pra viver.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Retorno


Acordou com os olhos cansados de quem já vivera muito, mas que do muito foi pouco pela insatisfação que o segue. Olhou-se no espelho como ato rotineiro, como uma verificação de que tudo estava em seu determinado lugar. Embora soubesse que do lugar que lhe cabia, nada foi possível fazer para não se separar.

O lugar de sua identidade se misturou entre as ilusões do passado, e como corte profundo sangrava em seu peito todos os dias, pela contradição da procura pelo que não mais se suporta. Com os olhos fixos no espelho parou, e dali não conseguiu mais se mover.

A poesia da vida que sempre fora música para seus ouvidos, cantava baixo, em tom melancólico, abafada pelas inúmeras dúvidas que insistiam perseguir sua mente. Talvez pudesse tirar proveito disso como sempre fez, talvez não houvesse mais tempo, ou talvez simplesmente não quisesse nada disso.

A vontade de seguir em frente foi abalada pela necessidade do retorno. Era preciso voltar. O início da escolha que seu medo não permitiu ver.

A eterna despedida de um Eu pra vida toda.

O medo do tempo, da solidão e do cansaço.

sábado, 8 de maio de 2010

Sentido


Se eu pudesse juntar todas as teorias do mundo, e fazer algum sentido disso tudo. Sentido. Como tento expressar nessas palavras que não passam de palavras sem sentido.


Se eu pudesse tirar de mim tudo que não é de mim, e sobrar apenas o real. Real que pode nunca ser descoberto. Faria algum sentido, ou simplesmente soaria como essas palavras sem sentido.


Se eu pudesse mudar o mundo, e fazer com que as pessoas se mostrassem como são. E dessa confusão fazer girar um mundo real. Você me entenderia, ou me chamaria de louco, pela falta de sentido que isso tem, assim como essas palavras sem sentido.


Se eu pudesse explicar tudo isso detalhadamente, tudo isso perderia o sentido, porque é no sem sentido que a verdade está. Sem sentido, sem retorno.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Espaço


Estou lutando para conseguir o meu espaço.

Pensamentos e frases desse tipo é muito comum. É uma luta constante para se conseguir um espaço imaginário, onde poderemos enfim relaxar. E assim, só assim, com esse espaço poderemos ser vistos, notados e admirados, não só pelos outros, mas por nós mesmos.

Este espaço vai além da física, da matéria e tudo mais de concreto. Ele é abstrato, idealizado, mutável, e acima de tudo extremamente desejável. "Eu quero meu espaço." Engraçado que é muito difícil ouvir alguém falando que tem o seu espaço.

Afinal que espaço é esse? E mesmo que seja em nossas mentes inquietas, isso realmente existe?

Acredito que sim, mas de uma maneira distorcida na maioria das vezes. E geralmente é assim pela pressão social que existe em torno disso. A tendência é padronizar, colocar um modelo fixo que devemos seguir, e a partir desse modelo que poderemos medir o quanto somos bem-sucedidos ou coisa do tipo.

A verdade é que o que me faz bem, pode não fazer pra você. E que bom que não faz, afinal a riqueza está na diversidade. E você tem o seu espaço, a grande questão é saber se o utiliza da melhor forma.

Bom, considero esse blog um pequeno espaço para as minhas inquietações, reflexões, críticas, e besteiras também. Apesar de tê-lo abandonado por algum tempo e estar sempre indo e voltando, eu adoro esse espaço. Por isso tentarei utilizá-lo da melhor maneira possível, porque o meu objetivo é só me expressar, de uma forma ou de outra.




quarta-feira, 17 de junho de 2009

Entrelinhas


Remoer diálogos mal resolvidos é muito comum. Quem nunca ficou pensando em alguma conversa que teve e se deparou com o familiar: “deveria ter dito isso, ou aquilo”. Sei lá, na hora não sai. Mas depois tudo parece tão mais claro.

Quando você reconstrói o diálogo em seu pensamento, ele se transforma em um monólogo. Você não conta com a reação do outro, é você quem faz tudo. Fala, responde, replica. Fica mais tranquilo falar o que se deseja e organizar tudo o que se quer passar.

E mesmo ficando apenas em pensamento, não se pode negar o valor desse momento. É sério, às vezes você entra tanto nesse “diálogo parte dois”, que chega a acreditar que ele realmente existiu. E quem pode negar isso? Afinal, ele existiu. Na sua cabeça, pra você, mas existiu.

Falar para nós mesmos é uma forma de satisfação. Se você consegue se convencer e se satisfazer com suas ideias, fica tudo ótimo. Quando se quer compartilhar, complica um pouco, mas é possível e necessário. O que me indaga é quando você precisa falar para o outro, para o que você quer dizer se torne verdade.

Se temos nossas verdades e acreditamos nelas, o outro saber ou não é uma conseqüência. Não vejo problema em querer falar, isso só não pode ser essencial. Afinal, importa mais você saber ou o outro?

sábado, 6 de junho de 2009

Sombras


A autenticidade é geralmente percebida como algo almejado e admirado. Ser autêntico, ser você mesmo e não viver como uma sombra que se esconde por trás de algo ou de alguém.

Parece simples. Afinal é só ser, e isso fazemos todo dia. Mas a pergunta que coloco em questão é: quem é você?

Quando questionados a respeito de nosso ser, é comum nos remetermos ao sexo, profissão, idade, filho de tal e neto de tal. O que nos rodeia e como somos reconhecidos pelos outros, um retrato de nossa inserção no mundo em tempo e local determinado. Mas o que é isso senão um contorno de nosso ser.

Se realmente for um contorno, sabemos muito pouco ou quase nada de nós mesmos. Ou temos receio de descobrir. Vivemos a maior parte do tempo como sombras. Por trás de pessoas, de títulos, de nomes.

Acredito que o ser humano sabe que há mais nele do que se consegue perceber a primeira vista. O problema é que chegar a essa identidade exige ir além do que estamos acostumados. E ainda: qual é o propósito desse esforço? Afinal, vivemos numa sociedade onde um belo contorno, vale muito mais que o recheio.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A Distância Necessária


Já ouvimos falar que a liberdade de alguém termina quando começa a do outro. Sim, temos um espaço que nos separa das pessoas, um espaço que nos assegura conforto e privacidade. Certo incomodo se estabelece quando essa distância é ultrapassada.

Tentamos expor só o que queremos, apenas o que não nos compromete e o que não foge do nosso esforço para manter a aparência que desejamos. É claro que isso falha. Mas a tentativa é árdua, por isso, penso não ser muito agradável quando alguém simplesmente ultrapassa essa linha.

Hoje, as pessoas aparentam cada vez mais distantes. E não só uma das outras, mas também de si próprios. Sem tempo para pensar, sem tempo para conversar, sem tempo para sonhar. Como se o mundo exigisse uma forma de ser que não deixa muito espaço para tudo isso.

E do que tentamos nos proteger tanto? Necessidade moderna de ficar sozinho e ter seu próprio espaço?

Adoro uma contradição. Ao mesmo tempo em que nosso discurso remete ao individual, o que mais acontece é a busca por reconhecimento e afeto alheio. E à medida que cresce essa evidência superficial por parte dos outros, sobra muito pouco para o nosso eu, para o nosso próprio reconhecimento.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Garantia


O que você tem de garantido na vida?

Penso que procuramos certa garantia em tudo que fazemos, adquirimos ou acreditamos. Digo procuramos, porque no fundo sabemos que isso não existe. É claro que ao comprar qualquer coisa você quer alguma garantia que o produto é bom, ou pelo menos que vai funcionar. Ao estudar e trabalhar você procura uma garantia de estabilidade profissional. Quando nos relacionamos queremos uma garantia de amor, fidelidade, cumplicidade e muitas vezes até de felicidade.

Infelizmente, garantido mesmo, nada é. O que temos são experiências próprias e alheias que nos fazem perceber como as coisas costumam acontecer. Bom, se deu certo com ele, pode dar comigo também. Se eu fizer desse jeito tenho o resultado que quero, já testei. Mas garantido não é.

Afinal, que garantia é essa que procuramos? Uma segurança que não existe nem em nós mesmos. A verdade é que na maioria das vezes lidamos relativamente bem com isso. Ou você acha que é fácil nascer e saber que a única certeza da vida é a morte. Sem querer ser pessimista ou depressiva, mas isso é garantido.

Calma, não é tão ruim assim. Como seria viver com a garantia de que sua vida vai ser do jeito que você planejou. Não teria a mesma graça e nem o mesmo gosto. Persistir em nossos desejos, sabendo que depende basicamente de nós mesmos realizá-los. Lidar com todas as surpresas da vida, tudo aquilo que você nunca imaginou que pudesse acontecer.

Na dúvida, viva o hoje. Garanto que não vai se arrepender.